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HOLÍSTICA, UMA MUTAÇÃO DE CONSCIÊNCIA
por Roberto Crema
"Portanto,
fiquemos alerta - alerta em duplo sentido.
Desde Auschwitz nós sabemos do que o ser humano
é capaz. Desde Hiroshima nós sabemos o que está
em jogo". (Viktor E. Frankl)
Vivemos um período ao mesmo tempo aterrador e maravilhoso.
É um momento especial de passagem, o parto de um ciclo
onde morte e vida se abraçam num espasmo de dor e plenitude.
Brahma, supremo deus da criação e Shiva, supremo
deus da destruição, dançam juntos, neste
instante, ao som da melodia universal que chamamos mutação.
Ao olhar mais atento, Vishnu, supremo deus da conservação,
sorri com os braços abertos para acolher os aflitos filhos
da Vida. Somos todos testemunhas privilegiadas, acordadas ou não,
do nascimento de uma nova idade. A cada momento é possível
percebermos um acréscimo de luz e de consciência
à nossa volta, determinando uma espantosa aceleração
de mudanças. A queda do muro de Berlim e a derrocada das
ideologias representam exemplos paradigmáticos da transição
conceitual, valorativa e atitudinal que transcorre nos nossos
dias. Diante dos cenários atuais, tudo indica que serão
dramáticas e desafiadoras as primeiras décadas do
Terceiro Milênio.
É preciso escolher entre dois caminhos: o do dinossauro
ou o do mutante. Os resistentes à transmutação,
adeptos da esclerose do passado e do conhecido, novamente serão
soterrados, excluindo-se da nova civilização. Aos
mutantes da consciência será destinada a herança
evolutiva da humanidade.
Ser contemporâneo é o imenso desafio do nosso momento
histórico. Viajamos da idade moderna para a transmoderna,
da idade da razão para a idade da consciência no
mais amplo sentido. Nossa tarefa é a de inventar uma nova
linguagem, um novo código para o tempo-espaço do
EU SOU.
Na nova idade, todos somos convocados para a inteireza. O ser
mutilado, fragmentado na mente, no coração e no
existir, será removido para o museu do ontem. Apenas os
inteiros estarão preparados para os novos desafios. Por
essa razão, o termo-chave é o holístico,
proveniente do grego holos, que significa inteiro, total. A palavra
"holística", pelo desgaste do mau uso e do abuso,
poderá ser substituída. O seu significado, entretanto,
permanecerá.
Para melhor compreender este momento crítico de passagem,
voltemos nossa visão, numa rápida olhadela, para
o fecundo século XVII. Nessa ocasião, mediante uma
espetacular rebelião da inteligência, aconteceu,
na heurística pensamentosfera européia, o nascimento
impactante da idade moderna ocidental, cujo ocaso estamos presenciando.
Como sempre, foram alguns espíritos rebeldes, sensíveis
às contradições da época, que se insurgiram
na criação de uma nova síntese.
Um tributo de reconhecimento é necessário ser estendido
aos traumatizados de todos os tempos. Aos dotados da capacidade
de sentir, na própria carne, a dor coletiva da humanidade
ultrajada. Final da Idade Média, quando o obscuro prevalecia
e o poder religioso exercia uma despótica dominação:
a objetividade reprimida pelo cânone aristotélico-tomista,
o imanente esmagado pelo fator tido como transcendente, a experiência
subjugada pelos dogmas dominantes, as mentes mais iluminadas silenciadas
pelo terrorismo da consciência representado pela diabólica
Inquisição. E no alvorecer do século XVII,
por obra de videntes sensíveis e horrorizados, a revolta
dos esclarecidos não pôde mais ser contida. A Revolução
Científica entoou o seu iluminista brado. Galileu, antecedido
pelo gênio de Copérnico, desembainhou a espada da
precisão matemática e o escudo de uma metodologia
científica - hipotética dedutiva - foi erguido triunfalmente.
Bacon desenvolveu a estratégia da experiência - o
empirismo e o método indutivo - para derrotar a peste do
dogmatismo. Descartes fez ressoar seu grito de guerra racionalista
- o método analítico - iluminando, com o seu cogito
discriminativo, a escuridão do campo de batalha. E Newton
disparou a fatal seta da física mecânica, destinada
ao coração do Caos do mundo, para ordená-lo,
aprisionando-o na esfera impecável de mecanismos movidos
por eternos ditames naturais.
Seguiu-se, natural e dialeticamente, a mudança de polaridade.
Veio o Século das Luzes. O fator objetivo passou a ser
decantado em tratados e fórmulas. A subjetividade e a dimensão
do coração, consideradas não-científicas,
foram proscritas, destinadas aos artistas e poetas delirantes.
O fator sublime foi encarcerado em sombrios conventos, mosteiros
e templos. O imperscrutável foi banido, abandonado aos
místicos. A Razão estendeu o seu império
por todas as plagas, com a bandeira do determinismo - biológico,
econômico, geográfico, psíquico... - desfraldada.
Laboriosamente, os antigos traumatizados ergueram e retocaram
sua obra-prima: o racionalismo científico, com elegante
base disciplinar, que gerou o especialista, exótico sujeito
que de quase-nada sabe quase-tudo.
E cá estamos nós, os novos traumatizados. Num mundo
esfacelado, com o conhecimento fracionado em compartimentos estanques,
cindidos em esferas aprisionantes, torturados por máscaras
e papéis desconectados, esvaziados de um sentido maior,
desvinculados da sagrada inteireza. De um extremo fomos ao outro:
a Universidade, decantada como templo de saber, com um reitor
tratado como Magnífico (!), onde hipertrofiamos o intelecto
e nos saturamos de informações, sacrificando, no
altar das disciplinas, a mente abrangente e sintética da
espécie. Infelizes vítimas da patologia dissociativa
crônica e paradigmática instalada no seio da crise
planetária que sofremos, traduzida pelo infindável
conflito intrapsíquico-interpessoal-internacional.
Uma outra revolta da inteligência, suave e irreversível,
agita as suas ondas neste momento, convocando os mais sensíveis
e atentos. O movimento holístico definitivamente não
é uma moda, como muitos pretendem. É uma resposta
biológica e vital de perpetuação da espécie
perante a ameaça de uma autodestruição global;
é um catalisador de transmutação no seio
do qual está sendo gerado o ser humano do agora.
Ousaremos enfrentar o desafio da inteireza? Ousaremos conspirar
por um ente humano integral, vinculado na dimensão interconectada
do saber e do amor? Ousaremos saltar para o desconhecido, afirmando
o viver evolutivo? Ousaremos não deixar por menos, reinvindicando,
atrevidamente, nossa condição de seres eretos, destinados
a interligar terra e céu? É promissor constatar
que um número progressivo de indivíduos, das mais
diversas origens, culturas e ocupações, está
abrindo os olhos, despertando e conspirando pela renovação
consciente de nossos horizontes. Não será um bom
tempo para os insensíveis, sonolentos e pretensiosos proprietários
das velhas certezas!
Um dos principais objetivos da Formação Holística
de Base é cultivar um terreno fértil no qual o Aprendiz
possa assimilar os conhecimentos integradamente e incorporar a
nova consciência holística. É, também,
contribuir na preparação de emergentes líderes
holocentrados, capacitados para o enfrentamento dos novos e tremendos
desafios neste surpreendente limiar do terceiro milênio.
O estudo aprofundado e minucioso deste Manual de Formação
é fundamental para o envolvimento, comprometimento e desenvolvimento
do Aprendiz ao longo desta fecunda jornada. A meta essencial pode
resumir-se em tornar-se o que se é. Nada fácil e,
assim mesmo, possível, desde que se oriente o coração
para aprender.
Todas as atividades destinam-se, paradoxalmente, a um esvaziamento
da mente, facilitando um vazio fértil a partir do qual
a visão holística possa emanar e a canção
da vida vibrar. Um Ser florescerá então e o Universo
se revestirá de Sentido.
Por isto, vale a pena lutar.
SIM ou NÃO ?
A UNIPAZ tem muito mais
para dizer....
"Quem se baseia no
Tao como mestre dos homens não subjuga o mundo pelas
armas porque esta maneira de agir provoca habitualmente uma
resposta. (TAO TE KING)"
a.. O desarmamento, assim como a diplomacia da paz, são
iniciativas necessárias e louváveis. Entretanto,
como desarmar a alma, as emoções, as atitudes
no cotidiano, o coração fechado?... Se todos os
seres humanos forem desarmados, continuando o analfabetismo
psíquico e o noético, começaríamos
a batalhar com pedras e cacetes, naturalmente.
b. O diferencial
da proposta da Unipaz é uma educação para
a paz, uma transformação que se inicia pelo
despertar para a tarefa de pacificar a ecologia interior, individual,
para que esta conquista possa se irradiar para a ecologia social
e ambiental.
c. Entretanto, uma atuação conjunta em todas as
ecologias , simultaneamente, é uma estratégia
pragmática e efetiva.
d.. Nas tradições sapienciais, uma das fontes
do pensamento da Unipaz, podemos buscar o valor compartilhado
com relação a recusar o uso das armas bélicas
de destruição, buscando oferecer a outra face,
que se traduz na aquisição e desenvolvimento de
nosso arsenal interior de armas brancas: da consciência,
da responsabilidade, do amor compassivo, da meditação,
da prece... o que talvez seja a
característica mais relevante com relação
ao imprescindível bom combate. ( Roberto Crema)
A Arte de viver em Paz é o fundamento
da Universidade Holística Internacional.
Educação para a paz
FORMAÇÃO HOLÍSTICA DE BASE
COLÉGIO INTERNACIONAL DOS TERAPEUTAS
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